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sábado, dezembro 04, 2010

Sílvio Cervan: Algumas constatações

O Benfica foi a Aveiro mostrar várias coisas. A primeira é que dizer mal de Cardozo devia ser exclusivo dos nossos adversários, entra marca e dá a marcar. A segunda foi a certeza que um meio-campo mais combativo, com mais atitude e competência defensiva ajuda muito. Por fim, embora este Benfica esteja ainda distante daquilo que fez no último ano, e daquilo que ainda pode fazer este, é já uma equipa que mostra ser capaz de conseguir alcançar algumas das metas propostas para esta temporada.
Desde a escandalosa arbitragem de Guimarães que ditou a nossa derrota, o Benfica é a melhor equipa do campeonato. Desde Guimarães, em oito jogos para o campeonato temos sete vitórias e uma derrota, perdemos três pontos. O FC Porto é segundo com dois empates desde aí. Sem essas vergonhosas arbitragens iniciais lutávamos pelo título, assim lutamos para mostrar que somos capazes de lutar pelo título quando nos deixam.
Nada disto obsta a que temos de melhorar e que queremos mais de um plantel que tem valor para fazer melhor.

Na terça-feira será pedir serviços mínimos continuar na Liga Europa. Única competição europeia onde podemos ter uma ambição realista no actual estado do nosso futebol, mas também onde podemos subir um degrau na recuperação do prestígio europeu. Nos últimos cinco anos por três vezes chegámos aos quartos-de-final de uma prova europeia. Na Champions onde perdemos com o Barcelona; na UEFA onde caímos com o Espanhol e na Liga Europa frente ao Liverpool.
24 Horas depois de festejarmos o 1.º de Dezembro, como afirmação da nossa Independência, tentámos organizar um Mundial de futebol mostrando a nossa dependência de Espanha para um evento de tal calibre económico e financeiro. Tinha simpatia pela ideia e gostaria que a nossa candidatura tivesse ganho. Não me sinto nenhum Miguel de Vasconcelos e penso até que seria bom em termos económicos para Portugal. Não conseguir o evento é bem melhor que não o ter tentado organizar.

Sílvio Cervan in A Bola retirado de http://catedralencarnada.blogspot.com/

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Leonor Pinhão: Com Xau, lavam mais branco

No final do jogo de Aveiro, no momento daquela coisa que se convencionou chamar flash-interview, o profissional do microfone de serviço, não contente com os pormenores do jogo e com o desfecho do resultado, que foi favorável ao Benfica, entendeu levar a conversa com Jorge Jesus para o âmbito das relações entre o treinador e os jogadores e entre o treinador e o clube.

Embora o regulamento daquela coisa a que se convencionou chamar Liga de Clubes, e que é a entidade organizadora dos jogos, desautorize os profissionais do microfone de serviço de levarem as suas questões para além do âmbito do jogo a que acabaram de assistir, não é de todo invulgar, nem muito menos suspeita, a curiosidade dos jornalistas pelas circunstâncias mais gerais.

Foram tão pouco invulgares as questões do profissional do microfone a Jorge Jesus como também não foi em nada surpreendente a primeira resposta do treinador do Benfica, impacientando-se com o jornalista, remetendo-o para o tal regulamento da Liga que só permite aos jornalistas cingirem-se à matéria de facto dos 90 minutos de jogo em causa.

À segunda investida do repórter, Jorge Jesus perdeu definitivamente a paciência e com um popular e em nada acintoso «então, xau!» pôs-se a andar dali para fora. Fez muito bem o treinador do Benfica que se poupou, e nos poupou, a um diálogo menos urbano optando pelo silêncio que não ofende nem embaraça ninguém.

O assunto morreria ali se o profissional do microfone, sem o adversário por perto, não resolvesse terminar a sua exibição com uma graça a despropósito, como qualquer velho e competente jornalista lhe reprovaria, qualquer coisa do género: isto aqui não é «a Benfica TV», o que lhe era absolutamente dispensável porque só veio reforçar a justeza da retirada de Jorge Jesus perante um repórter do tipo engraçadinho e, francamente, sem maneiras. Sem maneiras de jornalista, obviamente.

Há jornalistas, sempre houve, que se queixam muito de coisas sem importância nenhuma.

Na noite de domingo, por exemplo, durante a transmissão do jogo de Aveiro os comentadores de serviço queixaram-se o tempo todo do frio que sentiam, acrescentando pormenores sobre a descida do mercúrio nos termómetros e as aflições que os rigores do Inverno lhe estavam a causar. Depois, quando o jogo acabou, como também sabemos, veio mais um jornalista da TVI, em jeito de rábula, queixar-se de que o treinador do Benfica não lhe respondia às perguntas que trazia escritas de casa.

São os ossos do ofício, sempre ouvi dizer quando fui jornalista. Se está frio, paciência, aguentem-se porque os leitores ou os telespectadores não têm nada a ver com isso. Se os entrevistados não nos respondem como gostávamos, outra vez paciência, para próxima teremos de preparar melhor o nosso trabalho. Mas sempre poupando o público que nos lê ou que nos ouve às agruras inevitáveis de qualquer profissão.

No dia seguinte, este incidente na flash-interview produziu, pelo final da tarde, uma série de pequenos acontecimentos em cadeia.

Sem que a TVI tenha denunciado ou protestado algum comportamento inconveniente ou de cariz violento perpetrado, no rescaldo do «então, xau», por algum funcionário do Benfica sobre o seu funcionário-jornalista, correu a notícia de que tal teria acontecido o que motivou o FC Porto a redigir, através do seu gabinete de comunicação, um comunicado acusando a actual gerência da Luz de um comportamento igual «aos dos filmes sobre gangsters».

Reagiu com uma rapidez que, este ano, tanto tem faltado ao nosso meio-campo, o gabinete de comunicação do Benfica com um comunicado que mais não é do que o elencar de uma série já com duas décadas de tropelias e actos de violência ou ameaças perpetradas contra treinadores, jogadores e jornalistas, a última à porta de um tribunal no Porto e que consistiu de um ensaio de atropelamento e fuga de um repórter fotográfico, documentado por imagens e sons num registo que, na altura, teve o merecido destaque informativo.

Provavelmente nunca se saberá se o jornalista que foi vítima dessa gracinha automobilística apresentou queixa na polícia. É de crer que não tenha apresentado. Como já foi referido, actualmente, tal como num passado não muito distante, há sempre profissionais da informação mais inclinados a queixarem-se do frio ou da chuva, que são os ossos do ofício, do que da pancada, que são os ossos mesmo a sério.

Entra assim para a pequena história dos energúmenos do futebol português o jornalista da TVI a quem Jorge Jesus disse «então, xau!». Não sendo certo que tenha sido molestado fisicamente - o Benfica desmente o incidente e a TVI não o confirma - é mais do que certo de que é o primeiro jornalista a ser defendido, em comunicado pelo FC Porto, o que é obra quase tão cómica quanto a bucha final do referido jornalista - a referência à Benfica TV - no seu diálogo interruptus com o treinador do Benfica.

Quanto ao comunicado do Benfica, vê-se bem que foi escrito à pressa, o que se lastima.

É de todo compreensível o facto de o FC Porto tentar fazer uma lavagem do seu passado histórico, através do seu gabinete de comunicação onde, provavelmente, até trabalham pessoas que ainda nem tinham nascido quando apareceram os primeiros jornalistas queixando-se de forte pancadaria.

Mas já não é nada compreensível que o Benfica, na urgência de uma resposta bem pensada mas muito mal medida, tenha colaborado nessa mesma lavagem apresentando uma short list, ou seja, uma lista muito resumida de nomes, de factos e de situações que, algumas, conseguiram mesmo o notável feito de ultrapassar o âmbito exclusivamente desportivo.

Foi, de facto, uma pena perder-se uma oportunidade destas.

E toda esta nervoseira apenas porque, no fim-de-semana, o Benfica conseguiu baixar de 10 para 8 não menos épicos pontos a distância a que se encontra do líder do campeonato. Se alguma vez se chegarem aos 6 pontos de diferença… ninguém sabe o que se poderá passar no país.

Em termos de comunicados, obviamente.

Até lá, então, xau.

E com Xau, lá vão lavando mais branco.

SEMPRE que não ganha um jogo, André Villas Boas faz-se expulsar do banco pelo árbitro.

Aconteceu em Guimarães e aconteceu em Alvalade. No entanto, esta semana, o treinador do FC Porto não conseguiu fazer da sua expulsão um caso cuja ressonância abafasse a semana toda em nome das injustiças a quem o seu emblema é sujeito.

Mais uma vez José Mourinho roubou-lhe o protagonismo e sentou-o no seu devido lugar.

O que vale isso de ser expulso pelo Jorge Sousa comparado com levar 5 do Barcelona em Nou Camp?

Leonor Pinhão in Jornal A Bola!

Retirado de http://benfica73.blogs.sapo.pt/

sábado, novembro 13, 2010

INQUÉRITO: Vai comprar o jornal A Bola ao Sábado?

A pedido do Blog "Apanhados Quânticos", votem no inquérito "Vai comprar o Jornal A Bola ao Sábado?"
Deixo o link, aqui.

Façam como eu, votem e divulguem.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Sílvio Cervan: As contas estão bem mais fáceis

O Benfica tem agora as contas da Liga dos Campeões bem mais fáceis: ou ganha os três jogos ou estará fora dos oitavos de final. Assim a matemática fica mais simples. Sem estes resultados e caso não perca o jogo de Telavive, estaria certo o cenário na Liga Europa, ou seja a Europa está aí, falta saber onde. Perdemos com o Lyon porque os franceses foram melhores, não valerá fugir a essa realidade, e no caso de conseguirmos passar aos oitavos de final sempre será de esperar um adversário com valia em excesso para qualquer equipa do nosso futebol. Por vezes há surpresas e nós regozijamos, mas convém saber que são surpresas.
O Benfica que pode e deve aspirar hoje a ser a melhor equipa do futebol português, não é das melhores equipas do futebol europeu, embora deva fazer o caminho sustentado de lá se aproximar. A realidade só pode incomodar quem a não vê, ou aqueles que noutras paragens insistem em viver na ficção. Por mim espero do Benfica uma serena e gradual melhoria, como tem acontecido nos últimos anos.
Novembro só será determinante para o futuro do Benfica, se ganharmos os dois jogos em falta de Outubro (Portimonense e Paços de Ferreira).
Segunda-feira passada no almoço com o embaixador do Chile, o camarote da Luz estava decorado com o número 33, alusivo ao número de mineiros resgatados do fundo da mina. Pois em época de crise era boa a economia caso se pudesse utilizar a decoração para o número de títulos de campeão nacional: 33 é mais que um número é um objectivo.

O estádio Algarve costuma ser talismã, e já embalamos lá para várias conquistas. Contra o Estoril para o título de 2005, contra Sporting e Porto para duas Taças da Liga.
Olegário continua imparável, merecedor de outra homenagem, arbitragem menos conseguida na Taça de Portugal, e expulsão de um jogador do Auxerre em aquecimento no jogo da Liga dos Campeões. Haja personalidade, num imitador de Quim Barreiros.
In Jornal A Bola

sábado, outubro 16, 2010

RAP: Batotas que temos como evidentes


“A Constituição americana – até hoje considerada como um dos melhores textos jurídicos jamais escritos - enumera o que os Founding Fathers chamaram de «verdades que temos como evidentes». “
Miguel Sousa Tavares, A Bola, 12 de outubro de 2010


Aparentemente, há juristas que lêem a Constituição americana sem o cuidado que é devido a um dos melhores textos jurídicos jamais escritos. Na verdade, não é a Constituição americana que enumera aquilo a que os Founding Fathers chamaram verdades que temos como evidentes. Essas são enumeradas na Declaração de Independência, que foi escrita uma boa década antes da Constituição. É, então, na Declaração de Independência que os chamados países fundadores dos Estados Unidos expõem as verdades que consideram evidentes: que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, e que entre esses direitos se contam o direito à vida, à liberdade e à busca da felicidade. Uma das verdades que não é evidente, quer para a Constituição, quer para a Declaração de Independência, é que os cidadãos tenham o direito inalienável de não serem escutados. Como é evidente, todos os cidadãos têm o direito à privacidade - mas esse direito não é absoluto. E a magnífica lei americana permite o uso das escutas como meio de investigação, assim como a lei portuguesa. Que horror! Mas não era a PIDE que também escutava? Era. Se bem me lembro, a PIDE também prendia e, apesar disso, no regime democrático há quem continue a ir preso. A diferença é simples, mas parece que é difícil de entender: a PIDE escutava e prendia arbitrária e ilegitimamente, como é próprio das polícias políticas das ditaduras; a polícia das democracias escuta e prende justificada e legitimamente, como é próprio do Estado de direito democrático. O mais intrigante, no caso das escutas do Apito Dourado, é o facto de haver discussão quando, afinal, estamos todos de acordo. Por exemplo, estou de acordo com Miguel Sousa Tavares quando, depois de José Sócrates lhe ter dito que não devíamos conhecer o conteúdo das escutas do processo Face Oculta, respondeu: “Mas conhecemos. Eu também acho que não devíamos conhecer, mas conhecemos. E, uma vez que as conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos. Eu, pelo menos, não posso”. (http://www.youtube.com/watch?v=RlWI8t7JY6Y&t=08m07s).

E estou de acordo com Rui Moreira, quando ontem confessou aqui a razão pela qual comentou as escutas que envolviam o nome de José Sócrates: «(...) limitei-me a não ignorar o que era público, ainda que resultasse de uma ilegalidade. Ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências». A única diferença é que eu tenho essa opinião relativamente a todas as escutas, e não em relação a todas menos as do Apito Dourado. Também acho que não devíamos conhecer a escuta em que Pinto da Costa combina com António Araújo oferecer fruta para dormir ao JP, mas conhecemos. E, uma vez que a conhecemos, não podemos fingir que não conhecemos.

Eu, pelo menos, não posso. Quando comento a escuta em que Pinto da Costa dá indicações a um árbitro para que vá a sua casa nas vésperas de um jogo, limito-me a não ignorar o que é público, ainda que resulte de urna ilegalidade. Até porque ninguém se pode alhear do que é público e das suas consequências. Além disso, note-se, até concordo com MST quando diz que as escutas vieram a público nesta altura por causa do Porto-Benfica. O objectivo é prejudicar o Benfica: os jogadores que tiverem conhecimento das escutas ficam a saber que, por mais que se esforcem, se o árbitro estiver trabalhado não têm hipóteses de ganhar. Desmoraliza qualquer um.
Rui Moreira desfez-se em explicações para justificar que comentar umas escutas é um acto legítimo e comentar outras é uma vileza sem nome. Agora que foi despedido, talvez Rui Moreira tenha mais tempo livre para entrar num negócio que gostaria de lhe propor: formarmos um circo. Como ele já aqui tem sugerido várias vezes, eu seria, evidentemente, o palhaço. Ele seria o contorcionista. Não são muitos os artistas que se podem gabar de ter um número tão bom como o dele. A única maneira de Rui Moreira e MST comentarem uma escuta de Pinto da Costa é o presidente do Porto ser apanhado numa conversa telefónica com José Sócrates. Mesmo assim, suponho que fizessem um comentário misto, debruçando-se apenas sobre intervenções de Sócrates: “Esta intervenção de Sócrates reforça a nossa desconfiança nele. Agora temos uma parte do telefonema que não devíamos conhecer e temos nojo de quem a comenta. Agora está Sócrates novamente a fragilizar a sua credibilidade. E agora temos mais uma parte da conversa que é indigno estarmos a ouvir”.

Umas coisas são picardias maliciosas, típicas do mundo do futebol; outra, bem diferente, são ofensas. E Villas Boas ofendeu-me gravemente numa conferência de imprensa que deu esta semana. Disse que as minhas crónicas eram as únicas que gostava de ler porque eu o fazia rir. Sinceramente, creio que não merecia o insulto. Todas as semanas faço aqui o melhor que posso para provocar Villas Boas. Já recorri a tudo: sarcasmo, ironia, escárnio, simples sacanice. E Villas Boas tem a repugnante nobreza de carácter, o asqueroso desportivismo de achar graça. Para ele, se bem percebo, isto do futebol é a coisa mais importante do mundo para todos, mas no fim acaba por ser um jogo de que nos podemos rir juntos, seja qual for o nosso clube. Simplesmente infame. Exijo que passe a ter o fair-play de um Rui Moreira, que gosta muito de piadas desde que não sejam sobre ele. Obrigado.

Ricardo Araujo Pereira, 16 de Outubro in Jornal A Bola

domingo, outubro 10, 2010

Crónica de RAP

António Araújo e judeus do século XVII: vítimas diferentes, a mesma ignomínia

“Obviamente, o João pode ser o João não podia ter sido nomeado para este jogo”
Rui Moreira, A Bola, 13 de Agosto de 2010
Embora quase ninguém tenha dado por isso, há cerca de dois meses foi cometido um crime nestas mesmas páginas. Não é segredo para ninguém que a divulgação do conteúdo das escutas é proibida. Ora, quando usou a expressão o João pode ser o João, Rui Moreira estava, como se sabe, a citar propositadamente uma escuta em que intervém o presidente do Benfica, publicitando o seu conteúdo. Trata-se de um comportamento completamente inaceitável e extremamente pidesco. E vice-versa. Pela minha parte, devo dizer que não participo em autos de fé, e não posso continuar a colaborar passivamente num jornal que se transforma num auto de fé. Não tenho, por isso, outra alternativa senão abandonar esta crónica durante dois parágrafos.
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Creio que a minha posição ficou clara, e espero que esta atitude simbólica contribua para moralizar o debate futebolístico e o próprio mundo em geral. Lamento ter chegado a este ponto, mas o caso é mais grave do que parece: Rui Moreira é reincidente neste tipo de conduta vergonhosa. No dia 26 de Fevereiro de 2010, o jornal i colocou a várias personalidades a seguinte pergunta: De pois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta, mantém a confiança no primeiro-ministro? A resposta de Rui Moreira foi: «O primeiro- ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior». Sei que o leitor está tão chocado como eu. Rui Moreira não faz qualquer comparação entre a Santa Inquisição e as escutas (que todos os historiadores acham parecidíssimas), não condena os bandidos que as publicaram, nem se demarca da porcaria, da canalhice e da insídia. Não só conhece as escutas corno as comenta, tendo mesmo o descaramento de tirar conclusões com base no seu conteúdo. Repugnante. Quando é que esta gente compreende que, nisto das escutas, tudo é indigno (menos o que lá é dito)?
Entretanto, parece que houve problemas no Trio d'Ataque, da RTPN. Não costumo assistir mas, ao que me disseram, um dos representantes do Porto no programa abandonou o estúdio — o que acabou por beneficiar o clube. Segundo ouvi dizer, a cadeira vazia teve, no resto do debate, uma postura mais sensata e digna do que o seu ocupante habitual costuma ter. Até nisto têm sorte, os portistas. Evidentemente satisfeitos com a nova representação, os responsáveis da SAD do Porto emitiram um comunicado no qual afirmam que o clube «não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais» Na tentativa de manter a excelente cadeira como representante, o Porto decreta um blackout preventivo a um possível futuro comentador. Percebo a intenção, mas gostava que a RTPN arranjasse um substituto. Sem desprimor para os porta-vozes oficiais, seria refrescante ver um comentador do Porto cujas posições fossem, desta vez, sempre pessoais.
OS adeptos de futebol assistiram , na semana que passou, a um fenómeno meteorológico interessante. Todos conhecia mos o fogo-de-santelmo, uma luz provocada por descargas eléctricas na atmosfera, observada frequentemente pelos marinheiros. Parece mesmo fogo, mas não é. «Vi claramente visto o lume vivo», diz Camões n’Os Lusíadas. Esta semana, Portugal conheceu o penalty de Santeimo. Vi claramente visto o penalti nítido, teria dito o poeta, se tivesse escrito a epopeia do futebol português (e em hendecassílabos). De facto, na segunda- feira, o penalty era claríssimo. «São muitos dos meus jogadores a dizerem que é demasiado claro», declarou Villas-Boas. Apelou a que toda a gente metesse pressão na TVI para mostrar as imagens que, por capricho ou conspiração, se recusava a transmitir. «77:53!», bradava o director de comunicação, sem que se percebesse ao certo se estava a indicar um minuto do jogo ou um versículo da Bíblia que anunciava que o fim estava próximo para todos os que não vissem o penalty. As imagens, por manifesta má vontade, é que teimavam em não mostrar nada. Passou um dia. Deve ter havido reuniões. Que fazer? Atacar a credibilidade das imagens? Se as escutas não podem ser aceites como meio de prova, era o que faltava que as imagens pudessem sê-lo. Não, está muito visto. Não havia alternativa: era mesmo preciso fazer um mea culpa. Afinal, 24 horas depois, as buscas terminaram e o penalty não apareceu. O que era claríssimo passou a inexistente. Pois bem, devo dizer que não concordo. Na minha opinião, André Villas-Boas tinha razão na segunda-feira à noite. O lance que ocorre aos 77 minutos e 53 segundos do Guimarães - Porto é mesmo penalty. Trata se de uma jogada em que nenhum jogador adversário comete qualquer infracção às leis do jogo. Normalmente, é o que basta para ser penalty a favor do Porto. Há jurisprudência neste sentido. As regras do futebol são uma coisa, a tradição é outra. Um jogo em que o árbitro se limita a perdoar um penalty ao Porto e a protelar a expulsão do Fucile durante vários minutos continua a ser um escândalo, e não há imagens que me convençam do contrário.
No final do jogo, nem todas as declarações foram absurdas. «Vou ficar atento para saber se este árbitro vai de férias», avisou Pinto da Costa. Ora até que enfim. Não foi precisamente por falta de atenção às férias dos árbitros que certas facturas da Cosmos que foram pagas por engano? Pode ser que alguma coisa esteja a mudar.


Ricardo Araujo Pereira, 9 de Outubro in Jornal A Bola

sábado, setembro 04, 2010

RAP: Jorge Sousa, um árbitro do Porto

Reza a lenda que o árbitro Jorge Sousa foi membro dos Super-Dragões. Não sei se o boato começou porque alguém testemunhou a sua presença na claque ou porque, nos jogos que arbitra, Jorge Sousa parece mais portista que o Jorge Nuno. No Braga-Benfica do ano passado, ficou célebre o golo anulado ao Benfica porque, ao que supuseram os especialistas na altura, Luisão teria respirado com demasiada força no momento de cabecear. Na final da Taça da Liga, permitiu que Bruno Alves e Raul Meireles ficassem em campo até ao fim, provavelmente para ver qual dos dois venceria o seu campeonato privado de agressões. Foi renhido, mas julgo que ganhou Bruno Alves por 4-3. No Rio Ave-Porto desta semana, deixou que Falcão se pusesse às cavalitas de um adversário no primeiro golo e admoestou, com cartão amarelo, um jogador vila-condense por ter tido a desfaçatez de sofrer um penalty. Quando se diz que determinado jogo vai ser arbitrado por Jorge Sousa, árbitro do Porto, sou eu o único que suspeita que não se estão a referir à origem geográfica do juiz?

A interessante entrevista que Jesualdo Ferreira deu esta semana parece explicar o motivo pelo qual Pinto da Costa só costuma prometer títulos a treinadores já falecidos: é da natureza dos defuntos não concederem entrevistas. Três meses depois do fim do campeonato brilhantemente conquistado pelo Benfica, o treinador da equipa que terminou atrás do Braga — e que é, aliás, o homem a quem mais conviria arranjar uma desculpa para a posição em que ficou classificado —, veio admitir que o Porto ficou em terceiro porque «houve duas equipas, nomeadamente a que foi campeã, que foi mais competente». Para surpresa de todos, não fez referências a túneis nem a burocratas. Que estranho. Jesualdo Ferreira deve ter estado distraído. Todos vimos, por exemplo, como o Benfica bateu o Porto no Algarve, na final da Taça da Liga. No primeiro golo, o túnel de Braga recuperou uma bola no meio campo, fez uma tabelinha com o túnel da Luz e passou ao dr. Ricardo Costa, que rematou de fora da área, batendo Nuno. No segundo golo, o dr. Ricardo Costa apontou superiormente um livre directo fazendo a bola entrar no ângulo superior direito da baliza. E no terceiro, o dr. Ricardo Costa completou o seu hattrick após jogada de insistência do túnel de Braga pela direita. Foi a época toda nisto, e agora Jesualdo Ferreira vem atirar-nos areia para os olhos dizendo que o Benfica venceu porque foi melhor. Ele há cada uma!

O jogo que a selecção fez ontem teve, pelo menos, a virtude de revelar quem tem razão no caso Carlos Queiroz. Este Portugal-Chipre demonstrou cabalmente que a Autoridade Anti-Dopagem não tinha qualquer motivo válido para invadir o estágio dos jogadores portugueses. Passa pela cabeça de alguém que uma equipa que não consegue bater o Chipre em casa esteja a tomar substâncias proibidas? Parece-me um caso evidente de excesso de zelo.
Quanto à selecção de sub-21, apesar da derrota frente à Inglaterra acredito que esteja no bom caminho. O ponta-de-lança Bebé, por quem o Manchester United deu cerca de 10 milhões de euros, parece-me ser um jogador de futuro. Trata-se, aliás, do segundo bebé mais caro do futebol português, a seguir ao de Cristiano Ronaldo, o que indica a qualidade do atleta.
Ricardo Araújo Pereira, 04 de Setembro in Jornal A Bola

sábado, agosto 28, 2010

RAP: Agora sem mãos

É a questão que os benfiquistas mais descrentes colocam a si próprios por estes dias: o Benfica já perdeu o campeonato em Agosto ou os quatro pontos de atraso para o Braga ainda são recuperáveis? É uma inquietação legítima, mas temo que o verdadeiro alcance deste início de época não esteja a ser compreendido por todos.
O problema é este: um campeonato até Jaime Pacheco ganha. Mas ganhar um campeonato à Benfica, às vezes nem o Benfica consegue. O último campeonato foi ganho à Benfica. Com grandes exibições, goleadas, enfrentando o melhor Braga de sempre e um Porto orientado por um treinador tricampeão. Este ano parece-me que faltava alguma motivação. O Braga, desfalcado e empenhado nas competições europeias, aparenta estar menos capaz de suportar uma prova tão longa, e o Porto passou a ser treinado pelo Mourinho de pechisbeque. Era óbvio que o Benfica precisava de um desafio. Daquela emoção que o artista do poço da morte procura quando grita: «Agora mais difícil: sem mãos!» Que se passou, desde há três meses? Jesus é o mesmo. Os jogadores também, quase todos. O que equivale a dizer que o poço é o mesmo e a mota também. Um aborrecimento. As cabriolas do ano passado já não nos impressionariam. Era altura de gritar: «Agora mais difícil: sem vitórias até 28 de Agosto!» O campeonato começa hoje, meus amigos.

“ (…) se, como eu prevejo, o Braga, ficando em segundo lugar, não sobrevive às eliminatórias da Champions, isso significa que o Benfica faz sua toda a receita dos direitos televisivos, sem ter de a dividir a meias com outro clube português participante na competição. Há que estar atento, Sr. Vítor Pereira”
MIGUEL SOUSA TAVARES
6 de Abril de 2010

QUANDO se percebe de futebol é outra coisa. Há quatro meses, o Braga estava a ser beneficiado pela arbitragem – o que, surpreendentemente, favorecia o Benfica. O mesmo Braga que só perdeu o campeonato na última jornada, o mesmo Braga que amealhou pontos suficientes para ser campeão em vários dos últimos campeonatos, estava a ser beneficiado para ajudar o clube cujos calcanhares andou a morder até ao fim. O raciocínio, chamemos-lhe assim, era simples: como, depois de apurado para a Champions, o Braga não passaria à fase de grupos, o Benfica receberia a totalidade dos direitos televisivos, perante a passividade do desatento Sr. Vítor Pereira. Talvez fosse útil a publicação de um manual de instruções para teorias de conspiração. O primeiro mandamento estipularia: se a teoria não tiver pés nem cabeça e se basear apenas numa previsão com a pujança premonitória das do professor Bambo, abandone-a. Aí está uma obra que evitaria alguns embaraços, uma vez que a realidade se encarregou de demonstrar que, tal como pensavam todos os que não estavam de má-fé, este Braga ficou em segundo lugar porque era mesmo superior ao plantel mais caro de sempre do futebol português. Que o Sporting de Braga seja, então, bem-vindo à Liga dos Campeões, até porque não é todos os dias que se consegue ver um Sporting nesta competição.
Ricardo Araújo Pereira in Jornal A Bola

sábado, agosto 14, 2010

RAP: A andorinha e a primavera

O principal acontecimento desta semana deve ter intrigado a generalidade dos comentadores - quer os cronistas que escrevem colunas de opinião, quer os que preferem publicar opiniões que não são as suas com o objectivo de interferir nos jogos espicaçando jogadores. O fenómeno é simples: a equipa que acabou de ganhar brilhantemente o campeonato passou a ser péssima no espaço de uma hora e meia. Não é fácil. Requer talento. A metamorfose do Porto, que se transformou na melhor equipa do mundo no mesmo lapso temporal, não é tão impressionante. É certo que, até ao passado sábado, a equipa do Porto era um conjunto de jogadores pouco ambiciosos, à imagem do amorfo Jesualdo Ferreira, e precisava urgentemente de reforços se queria fazer melhor que o justíssimo terceiro lugar em que tinha terminado a época. Mas só às segundas, quartas e sextas. Às terças, quintas e sábados, o Porto era uma equipa que, se não tivesse sido injustiçada pelas punições sofridas por jogadores inocentes que, coitados, se limitaram a participar em espancamentos, teria sido campeã com 30 pontos de avanço - ou não fosse treinada pelo competente Jesualdo Ferreira. O próprio André Vilas Boas que, além de ser o mais novo vencedor da Supertaça, é o primeiro treinador do mundo a usar por quatro vezes a palavra «exacerbação» na mesma conferência de imprensa - recordou, aliás de forma um pouco exacerbada, que o Porto do ano anterior só não tinha ganho por causa das injustiças, observação que constitui uma crítica a Pinto da Costa pelo despedimento de Jesualdo Ferreira, o que acaba por ser razoavelmente exacerbador. E é assim que a equipa que, ainda não há seis meses, levou três secos daquele Sporting que acabou a 28 pontos do primeiro, se encontra no topo do futebol português. Pelos vistos, no futebol, por morrer uma andorinha acaba a primavera. E por morrer um abutre acaba a exacerbação.

Quanto ao Benfica, se é possível encontrar algum aspecto positivo no meio desta horrível hecatombe que foi o facto de termos perdido um jogo, talvez seja consolador registar que, num jogo em que tudo nos corre mal e não jogámos mesmo nada, o pior que nos pode acontecer é perdermos 2 - 0 com o Porto. O Braga entrou na nova época com uma vitória clara por 3-I. À atenção do Porto: a luta pelo segundo lugar vai continuar a ser dura. Talvez não seja boa ideia voltar a emprestar jogadores ao principal rival em Janeiro. Fica a sugestão!

Ricardo Araújo Pereira, 14 de Agosto in Jornal A Bola

sábado, agosto 07, 2010

RAP voltou

Ricardo Araújo Pereira está de volta com a crónica semanal no Jornal A Bola e voltou em grande. Esta está ao rubro. Deleitem-se! Fica a crónica:

O 27º Mourinho respondeu ao primeiro, que ficou com as orelhas a arder

Se houvesse dúvidas acerca da categoria de André Villas-Boas, elas dissiparam-se ontem. Trata-se de um treinador de nível internacional. Um técnico menor estaria empenhado a tentar perturbar o treinador do seu adversário de hoje no primeiro troféu da época, ou a tentar desestabilizar o outro candidato ao título, o Braga. André Villas-Boas não. Anda entretido a fazer mind games com o treinador do Real Madrid. Não duvido de que os merengues andem de cabeça perdida por causa das azedas considerações de Villas-Boas. «Villas-Boa es muy duro!», terá exclamado Jorge Valdano. «La Liga ya nos va correr mal!», terá suspirado Florentino Pérez.
A conferência de imprensa que o treinador do Porto deu ontem ficará na história do futebol. Primeiro, disse que concordava com o Special One: Villas-Boas e Mourinho não são clones. Depois, disse que discordava do Special One: Villas-Boas e Mourinho tinham quase o mesmo número de jogos como treinador principal antes de chegar ao Porto. Logo, afinal são clones. É um discurso que só está ao alcance das mentes mais complexas. A imprensa do Porto apressou-se a fazer a pesquisa que servia os argumentos de Villas-Boas e descobriu que, antes de ir para o Porto, Mourinho tinha apenas mais um jogo como treinador principal do que Villas-Boas. O problema é que Mourinho não falou em jogos como treinador principal. Falou em trabalho de campo. Antes de ser treinador principal. Mourinho foi treinador adjunto. Não foi observador de jogos, nem redactor de relatórios. Dizem que faz uma diferençazinha.

Como benfiquista, não posso deixar de estar preocupado com o jogo de hoje. Alem de ser orientado por um quase Mourinho, o Porto conta agora com João Moutinho, que no espaço de duas semanas deixou de ser um fiteiro contumaz para, segundo Rui Moreira, passar a ser um quase-Iniesta, e o Benfica limitou-se a fazer uma pré-temporada parecida com a da época anterior, o que significa que, tal como no ano passado, estamos todos imbuídos de um entusiasmo completamente injustificado. É certo que Miguel Sousa Tavares atribuiu o favoritismo da Supertaça ao Benfica, mas, depois de ter previsto a vitória da Argentina no Mundial, MST evidenciou perceber menos de futebol do que certos polvos alemães. Não há nada que nos acalme esta angústia.

Creio que o leitor se lembra da novela. Primeiro, Real Madrid e Barcelona digladiaram-se pelo jogador. Os catalães ofereciam milhões mais o Ibrahimovic e os madrilenos queriam troca por troca com o Kaká. Depois, Chelsea e Manchester United travaram uma luta muito feia para o contratar, com derramamento de sangue e tudo. Foi, por isso, com bastante admiração que vi o extraordinariamente magnífico Bruno Alves rumar a S. Petersburgo. Enfim, estes jogadores que têm o Porto no coração e que Pinto da Costa diz que vão ficar muito tempo só abandonam o clube se for para rumar a algum colosso do futebol europeu.

Quanto ao Sporting, a grande surpresa foi a ida de Miguel Veloso para o Génova. Que se terá passado? O Porto não estava interessado no jogador? É possível que Veloso fosse apenas uma maçã tocada, ao contrário de João Moutinho, que como se sabe já estava em estado de putrefacção. A ponto de certos adeptos do Sporting terem mesmo negado que Moutinho fosse um símbolo do Sporting. Absurdo. Recordo que Moutinho era capitão e tinha na camisola o número 28. Exactamente o número de pontos a que o Sporting ficou do Benfica. Se isto não é um símbolo, não sei o que é.

Ricardo Araújo Pereira, 7 de Agosto in Jornal A Bola

segunda-feira, julho 05, 2010

«Benfica é uma paixão que se entranha no corpo e não se consegue explicar» - Nuno Gomes


Na casa de partida para a 12.ª época na Luz o capitão transporta consigo, fielmente, a tão badalada mística, que define na perfeição. É verdade que não tem sido tão utilizado como noutros tempos mas a sua função não se esgota no que pode fazer no campo, onde ainda se sente útil. É uma referência do clube e o líder do balneário.

- Chegou ao Benfica em 1997. Ainda se recorda desse momento, passado tanto tempo? O que sentiu?
- Sim, lembro-me perfeitamente. Foi dos momentos mais marcantes da minha carreira porque foi o concretizar de um sonho que passava por jogar no Benfica e dar o salto para um clube grande, depois de ter feito praticamente toda a formação no Boavista, que representei também os seniores. Tal como todos os jovens deste País que jogam em clubes mais pequenos do que os chamados três grandes, ambicionava melhor para a minha carreira e assim aconteceu.
- Certamente não imaginava é que passaria onze anos no Benfica. Inicia agora o 12.º...
- Quando vamos para um clube nunca fazemos grandes projecções em relação ao futuro. E hoje em dia isso ainda acontece mais do que naquela altura, pois num dia estamos num clube e no dia seguinte estamos noutro. Quando cheguei ao Benfica o meu objectivo era cumprir o contrato que tinha, ficar o máximo de tempo possível porque vir para o Benfica significava muito. Para mim era chegar ao topo. Mas não imaginava ficar tanto tempo, nem sair e voltar. O futebol é o momento.
- Sente-se hoje um símbolo do Benfica?
- Talvez me possa sentir uma referência pelos anos que levo de casa, mas infelizmente não conquistei assim tantos títulos como gostaria. Quando falamos em referências do Benfica vêm à cabeça nomes como Eusébio, Coluna, Humberto Coelho, Nené, Chalana, Bento, Shéu, Pietra, Carlos Manuel... Podia continuar a citar nomes de jogadores cujos currículos têm uma grande diferença com o meu em termos de títulos conquistados. Mas também é um facto que os tempos eram outros, o Benfica dominava praticamente a cem por cento a nível nacional e quando cheguei o clube atravessava um mau momento. Dizer que sou uma referência olhando para esses nomes, parece... [risos]
- Está a ser humilde, toda a gente concorda que é uma referência. De que forma lida com isso, dentro e fora do campo?
- É algo que eu noto nos adeptos, pelo carinho deles, e nos meus companheiros, pelo respeito que me têm por ser um dos jogadores mais antigos da casa. Procuro, ao mesmo tempo, transmitir tudo o que me foi passado.
- O quê?
- O sentimento que um jogador deve ter por este clube. Depois de estar ao seu serviço durante muito tempo, não é possível explicar. É uma paixão que se entranha no corpo e que é difícil de explicar, de colocar em palavras. Quem chega fica impressionado por ver benfiquistas espalhados pelo País, pelo mundo fora. Este é de facto um clube único. Para os novos jogadores, que se calhar não conheciam tão bem o Benfica como pensavam, há que transmitir o que é este clube, a sua verdadeira dimensão.

Por Gonçalo Guimarães in www.abola.pt


No dia em que completa 34 anos de vida o jornal "A Bola" publica esta entrevista com o nosso capitão. Não vou comentar o que ele disse, porque disse tudo!

domingo, junho 20, 2010

Época atribulada salva pela Taça de Portugal

O Benfica conquistou a 12.ª Taça de Portugal da sua história. Um feito bastante festejado pelos jogadores, técnicos e dirigentes do clube da Luz, ou a vitória neste troféu não significasse o fim de um longo jejum, que data da época 2001/2002, quando venceu esta mesma competição, batendo na final o OC Barcelos, em Sintra. Mas se na Taça de Portugal a distância era já de nove anos, do Campeonato Nacional o tempo é muito maior: 12 anos.

Para Luís Sénica, o treinador que esta época tomou o leme de uma das modalidades mais antigas do clube, e para o restante grupo de trabalho, esta vitória na segunda competição de clubes mais importante do calendário federativo nacional, pode constituir um "final feliz", de uma temporada que não correu, exatamente como era pretendido. Terminar em 5.º lugar o Nacional da I Divisão não era, de certo a posição esperada pelos responsáveis benfiquistas. Depois, os casos de Caio e da Teça CERS também não ajudaram em nada a tranquilizar o Benfica. No caso Caio, uma alegada má inscrição do jogador, entretanto a cumprir castigo, motivou a perca de três pontos no jogo com a Juventude de Viana e a descida na classificação.

Na prova europeia, para qual o Benfica se tinha qualificado brilhantemente para a final-four, a candidatura aceite pelo CERH para que a fase final se realizasse no Pavilhão Império Bonança, na Luz, acabou por ser transferida para Torres Novas, pelo Comité Europeu, o que originou um coro de protestos por parte do Benfica e mesmo uma tomada de posição muito forte por parte do presidente do clube, Luís FIlipe Vieira.

Para completar o clima de intranquilidade vivido no seio do grupo de trabalho, surge a demissão do director da modalidade, António Ramalhete, há muito incompatibilizado com o treinador, Luís Sénica. Sem director desportivo, mas com muita vontade de encerrar a temporada com chave de ouro, o Benfica surgiu em Paço de Arcos com vontade de voltar a conquistar um troféu importante. E conseguiu-o com brilhantismo, realizando, na final, a melhor exibição da época 2009/2010.

Agora há que pensar no futuro. Reestruturar a secção, com um novo director desportivo. Luís Sénica, com a força que ganhou com o discurso do presidente Luís Filipe Vieira, em Macau, pode agora construir um plantel mais à sua medida, sabendo que o hóquei em patins não acaba no clube.



VÍTOR VENTURA in A Bola online


domingo, junho 13, 2010

Jorge Jesus no Porto? Nem na Playstation

[Sobre a contratação de Villas-Boas] (…) não tenho opinião formada (e quem poderá tê-la?)

Miguel Sousa Tavares

A Bola, 8 de Junho de 2010

“É uma escolha fantástica”.

Rui Moreira

Antena 1, 2 Junho de 2010

A abordagem de Pinto da Costa a Jorge Jesus não resultou. Acontece. Por uma qualquer razão difícil de explicar, o treinador do campeão nacional não se mostrou interessado em ir orientar o terceiro classificado na Liga Europa. Enfim, nem todos os contactos do presidente do Porto podem ser tão bem sucedidos como aquele telefonema que manteve com o árbitro Augusto Duarte. E, além disso, é natural que os treinadores vivos desconfiem de um presidente que falha as promessas a treinadores falecidos. Benfiquismo à parte, foi pena. Sinceramente, gostaria de ter visto a equipa técnica que Jorge Jesus iria formar no Porto. Este adjunto que Pinto da Costa acabou de contratar podia ser um excelente ajudante de Raul José, Miguel Quaresma, Mário Monteiro e Pietra. Quem sabe se, no futuro, Villas-Boas não pode ainda integrar a equipa técnica de Jorge Jesus e aí demonstrar todo o seu celebrado talento para a observação e a estatística?

Tal como sucedeu nos processos de Domingos Névoa e Fátima Felgueiras, também o processo Apito Dourado terminou sem qualquer condenação por corrupção. O empresário Manuel Godinho, detido no âmbito de processo Faca Oculta, de quem se diz erroneamente que aguarda julgamento, na verdade aguarda absolvição. Os processos têm pontos de contacto notáveis. Fátima Felgueiras foi passar uma temporada ao Brasil, talvez no mesmo avião em que viajou Carlos José Amorim Calheiros, conhecido como Carlos Calheiros para efeitos de arbitragem e como José Amorim para fins turísticos. Por outro lado, enquanto Manuel Godinho oferecia peixe, Pinto da Costa oferecia fruta. Tudo víveres que devem fazer parte de uma alimentação saudável. Quanto mais não seja por semelhante elevação de princípios, não admira que não haja tribunal que se atreva a condenar esta gente.

Esta semana trouxe boas notícias e más notícias. A boa notícia é que Rúben Amorim foi chamado à Selecção. A má notícia é que foi chamado à Selecção portuguesa. Por um daqueles enormes azares, o rapaz não pode integrar uma equipa cuja categoria e ambição estejam à sua altura, infortúnio que partilha, aliás, com Fábio Coentrão. Que se apoiem mutuamente nesta hora difícil e voltem sãos e salvos, é o que lhes desejo. Até porque a equipa portuguesa continua a jogar um futebol desorganizado, com jogadores que parecem não saber o que estão a fazer em campo. Liedson, por exemplo, está de tal forma mal integrado na equipa que quem não soubesse até diria que é estrangeiro.

Depois de André Villas-Boas (sete épocas de Mourinho), Baltemar Brito (seis épocas de Mourinho) é o segundo adjunto do Special One a ser contratado para treinar um clube português. O Belenenses, sem capacidade financeira para sete épocas de Mourinho, teve de se contentar com seis. Além de que Baltemar Brito veste pior do que Villas-Boas, e não é ruivo. Nisto do futebol, a qualidade custa dinheiro, e tanto os fatos de bom corte como a coloração capilar têm um preço elevado, até pelos pontos que rendem no final da época. Segundo consta, o barbeiro de José Mourinho está nos planos do Trofense. Ora, na qualidade de cidadão que já trocou quatro SMS com o Special One, aproveito esta oportunidade para fazer saber ao mercado que não estou disponível para orientar equipas. Mas, ao que me dizem, o corta-unhas de José Mourinho vai mesmo treinar o Arrentela.

Ricardo Araújo Pereira, A Bola, 12 Junho 2010

sexta-feira, junho 11, 2010

O novo e o antigo Heshimu Evans

O Benfica acabou se sagrar-se bi-campeão Nacional de Basquetebol e um dos nossos obreiros foi Heshimu Evans. Aqui fica a entrevista retirada do Jornal A Bola online.

"Conquistou primeiro campeonato como cidadão português. Impressionante: venceu quarto título por clubes diferentes. Só podia: foi o MVP do jogo com o FC Porto que fechou a final.

Há coisas novas e outras imutáveis na vida de Heshimu Evans. Recente, a aquisição da cidadania portuguesa e o clube que abraçou desde Janeiro, o Benfica. Antiga, a repetição do reconhecimento de MVP e a conquista do título nacional colectivo. Em Portugal, o norte-americano vai na quarta Liga vencida por clubes diferentes: Portugal Telecom, FC Porto e Ovarense, para além dos encarnados.

Era algo desejado, mas não procurado. Ser português surgiu naturalmente, pelo casamento e pelos anos passados em Portugal. Agora que já possui cartão de cidadão é um homem diferente. «O que sempre quis tornou-se realidade. É um sentimento bom. Tenho o coração a palpitar por dois países», confessa Heshimu Evans a A BOLA, acrescentando: «Ser campeão e ao mesmo tempo passar a ser português é fantástico. O timing foi perfeito!»

E é verdadeiramente entusiasmado que fala da novidade na sua vida. Que coloca no horizonte a Selecção Nacional. «Seria óptimo. Vou esperar pela convocatória. Se o treinador entender que posso dar alguma coisa à equipa, retribuirei com aquilo que tenho de melhor», responde de olhos a brilhar.

Também não hesita em abordar o futuro a médio ou longo prazo: «Pela minha experiência, pelo meu historial, pretendo ser treinador de escalões pré-competição. Posso dar grande contributo à evolução do jovem atleta português, por exemplo.» Entretanto, o atleta de 35 anos revela o lema de vida: «Acordar e agradecer a Deus pelo que me tem dado. E esperar que no resto do dia mereça a Sua aprovação.»

Mas o início da temporada não foi fácil, pois apenas entrou a meio da época na equipa da Luz. «Simplesmente não tive clube até então. E o Benfica abriu-me as portas da Liga», explica o motivo da paragem desde que saiu do Petro de Luanda. O convite das águias foi tido como «uma boa oportunidade, não só pela história do emblema» que passou a defender, também por passar a fazer parte de um plantel à sua imagem: «Forte e ambicioso.»"
Por Pedro Barros in "A bola online"

sábado, maio 29, 2010

‘I gotta feeling’ que a Selecção não desperta ‘feelings’

Junto a minha voz à daqueles que se indignam por o hino oficioso da Selecção não ser uma canção portuguesa. Não por patriotismo, mas por coerência com a realidade: creio que a música mais apropriada para este nosso conjunto seria um fado. Antigamente, todas as janelas do País tinham de ostentar uma bandeira portuguesa, mesmo que tivesse pagodes no lugar de castelos. Agora, ninguém vai aos chineses comprar uma bandeira nem que tenha sido bordada à mão pela padeira de Aljubarrota e tingida com sangue de D. Afonso Henriques.

A verdade é que há sacas de batatas mais entusiasmantes do que Carlos Queiroz. Mais facilmente um brasileiro nos faz sentir portugueses do que ele. E, em certa medida, devemos estar-lhe gratos por isso. Com Scolari, o povo português andaria agora entretido a bufar nas vuvuzelas até ficar com as beiças em carne viva. Estaríamos a viver tempos insuportáveis. Elefantes viriam da Índia atraídos pelo barulho, julgando ter ouvido o grito de acasalamento de fêmeas gigantes, e procurariam fazer criação com os portugueses mais volumosos que encontrassem. Com Queiroz, a população da Covilhã em peso organiza-se para lhe comunicar que gostaria de o ver com uma vuvuzela, mas a sair do orifício errado. Compreende-se: por exemplo, Scolari tentou bater num estrangeiro, o que sempre galvaniza o bom povo. A única vez que Queiroz esteve tentado a dar uns bananos, escolheu um português. Isso tem sido uma espécie de imagem de marca: como se tem visto nos jogos, esta selecção não tem agressividade nenhuma frente aos estrangeiros.

Ora até que enfim que José Mourinho tem, em Portugal, o reconhecimento que lhe é devido. Não sei se ainda se lembram mas, há uns anos, alguns dos que agora rejubilam com a façanha do treinador português e só lhe vêem virtudes estavam a ameaçá-lo de morte. Um vice-presidente do clube ao serviço do qual ele ganhou a sua primeira Liga dos Campeões foi ao seu quarto na véspera da final passar-lhe o telefone, para que ele pudesse ouvir de viva voz uma mão cheia de insultos e ameaças. Parece que, desta vez, tal não sucedeu. Parabéns a José Mourinho pela sua segunda Taça dos Campeões, e a primeira que ele teve vontade de festejar. Sentiu-se que ele prefere assim.

“Nós vamos a partir de hoje aqui solenemente dizer-lhe (…) que nós queremos este ano dedicar a vitória do campeonato a si. A si, que vai ser campeão”.

Pinto da Costa

À conversa com ma fotografia de José Maria Pedroto

7 de Janeiro de 2010

“Eu não sou prometedor de títulos nem de nada, que não uso esse tipo de conversa”.

Pinto da Costa

27 de Maio de 2010

Este ano não tem sido fácil para quem já foi treinador do Porto. José Maria Pedroto, ao contrário do prometido, não ganhou o título deste ano, e Jesualdo Ferreira já sabe que não ganha o do próximo. Na origem de ambas as desfeitas está Pinto da Costa. Diz-se que o desnorte tem a ver com a má época do Porto, mas deve reconhecer-se que não foi tão desastrosa como se tem dito. Por exemplo, é mentira que os jogadores do Porto não vão disputar a Liga dos Campeões na próxima temporada. O Rentería, em princípio, vai.

Ricardo Araújo Pereira, 29 de Maio de 2010 in Jornal A Bola

sábado, maio 22, 2010

Ergo a minha taça à festa da Taça

Creio que, este ano, a euforia injustificada de pré-época dos benfiquistas encontra justo contraponto na depressão justificada de pós-época dos portistas. Os festejos da vitória na Taça de Portugal foram discretos, como se o facto de o plantel mais caro da história do futebol português ter conseguido bater tangencialmente uma equipa acabadinha de ser despromovida da Liga de Honra à II Divisão não merecesse ser celebrado com estardalhaço. Vá lá uma pessoa compreender os humores dos adeptos. Sendo embora um troféu que, não fosse o Diabo tecê-las, Pinto da Costa optou por não prometer a qualquer alma d'aquém ou d'além túmulo, trata-se de uma taça importante. Ainda assim, a esmagadora maioria dos portistas não teve interesse em vitoriar os heróis que tinham acabado de se superiorizar pela margem mínima a Bamba, Lameirão e seus pares. Já vi festas de aniversário com mais convivas do que a festa da Taça. E funerais um pouco mais animados.
Os balanços de fim de época são sempre inevitavelmente injustos, e temo que todas as apreciações finais da magnífica época do Sporting tenham esquecido um jogador que merece referência, até por ser, creio, aquele que tinha o currículo mais rico do plantel, em termos de conquistas: Angulo. A contratação do jogador insere-se numa bonita tradição sportinguista que deve ser recordada. Angulo é um digno sucessor daquele que foi, para mim, o melhor futebolista de sempre do Sporting, e talvez o que mais títulos conquistou na carreira: Frank Rijkaard, que, como certamente se lembram, brilhou de leão ao peito durante cerca de três horas e meia em 1987. É possível construir um onze de sonho só com profissionais que representaram o Sporting durante menos de uma semana. Rijkaard e Angulo são titulares indiscutíveis, obviamente. Vicente Cantatore teria de ser o treinador. E Sá Pinto o director desportivo.

Rui Moreira, evidentemente melindrado por, como ele próprio diz, eu ousar fazer — imagine-se! — «copy/paste fora de contexto» das suas doutas opiniões, parece estar convencido de que me ofende quando diz que os anúncios do MEO não têm graça. Imagino que os senhores da agência de publicidade, que são quem realmente concebe e redige os anúncios, tenham passado a dormir com mais dificuldade desde que Rui Moreira resolveu presentear os leitores d' A BOLA com as suas pertinentes críticas de publicidade, mas eu não tenho interesse nem mandato para os defender. Por outro lado, devo agradecer as palavras simpáticas que dedicou à rábula em que satirizávamos o discurso repolhudo de Manuel Machado. Se me lembro do sketch, Rui? Claro que lembro. Esse fomos mesmo nós que escrevemos. E não foi difícil: limitámo-nos a fazer copy/paste fora de contexto de umas declarações meio bacocas do antigo treinador do Nacional. É um estratagema humorístico ao qual continuo a recorrer amiúde. Resulta tanto melhor quanto mais bacocas forem as declarações citadas. Este ano tenho tido muita sorte com a colheita, sabe?
Por Ricardo Araújo Pereira, in Jornal "A Bola"

sábado, maio 15, 2010

Surpresa: Benfica Campeão!

Recordar é viver:

«Acontratação do Saviola é igual à do Aimar no ano passado. Se fossem mesmo bons, se estivessem na parte boa da carreira, não vinham para o Benfica. Quero descobrir novos talentos, jogadores que possam dar tudo pelo Benfica e não acabar a carreira e passar férias. (…) Com estes jogadores, o Benfica vai fazer uma grande figura no Torneio do Guadiana».

Bruno Carvalho, candidato à presidência do Benfica, 27 de Junho de 2009.


«A aposta em Saviola faz lembrar a do ano anterior em Aimar: jogadores que já tiveram nome e que por isso são pagos caro e com elevadíssimos ordenados, mas que há vários anos não passam do estatuto de suplentes de luxo em Espanha.»

Miguel Sousa Tavares, 7 de Julho de 2009.


«(…) não vejo ninguém [no plantel do Benfica], nem o Luisão, que desperte o interesse de um clube disposto a pagar dinheiro que se veja (…). Eu, pessoalmente, não quereria, para o plantel do FC Porto, um só dos que constituem o do Benfica. Um só.»

Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009, referindo-se ao plantel do Benfica da época transacta, que incluía nomes como Di Maria, David Luiz ou Cardozo, para dar apenas três exemplos de jogadores sem qualquer valor de mercado.


«O Benfica, quando bem pressionado no meio-campo, torna-se frágil».


António Tavares-Teles, 23 de Setembro de 2009.


«Adivinho, pois, um Benfica crescentemente impaciente, para dentro e para fora, a protestar contra tudo e todos quando as coisas não lhe correrem de feição e convencido, como de costume, que lhe basta alinhar vedetas como Aimar ou Saviola ou outras tidas como tais, para que o mundo lhe caia aos pés e todos se disponham a prestar-lhe vassalagem.»

Miguel Sousa Tavares, 30 de Junho de 2009.


«[Jorge Jesus] (…) estreou-se no comando dos encarnados com um empate frente à modesta equipa do Sion. (…) Relevante não foi (…) o empate frente aos suíços, mas as declarações de Jorge Jesus, após o jogo. Disse ele que vai ser muito difícil «travar este Benfica». Porquê, é que não entendi: por que razão uma equipa que, mesmo com todas as desculpas e atenuantes, tinha acabado de ser travada pelo Sion, há-de ser muito difícil de travar… por um FC Porto, por exemplo?»

Miguel Sousa Tavares, 14 de Julho de 2009. Quem nos dera que o mundo respondesse a todas as nossas inquietações com a mesma eloquência com que se encarregou de responder a esta.


«O Benfica em grande euforia. O novo treinador está satisfeitíssimo e confiante, e garante que ninguém será, doravante, capaz de travar a sua equipa. Os adeptos rejubilam com as boas novas, os jornalistas excitam-se com as exibições e encantam-se com Jesus e com a sua prosápia. Tudo isto é habitual e vulgar. Afinal, é preciso vender jornais, há seis milhões de almas que desesperam por boas notícias e, mais não seja para sairmos da crise, não se lhes pode retirar a esperança durante os meses de verão.»

Rui Moreira, 17 de Julho de 2009.


«(…) há, no mínimo, algum exagero relativamente às conquistas encarnadas.

Uma nota para o Sporting, que tem sido muito desvalorizado mas conseguiu, para já, o seu primeiro objectivo a caminho da Liga dos Campeões. Paulo Bento tem sabido concorrer com menos argumentos e, por isso, tenho a certeza que a sua equipa estará, certamente também, na corrida ao título nacional.»

Rui Moreira, 7 de Agosto de 2009. É incrível que, com esta capacidade para analisar o fenómeno futebolístico, Rui Moreira tenha o seu espaço reduzido a um programa de televisão e a uma coluna de jornal. Para quando uma rubrica na rádio?


«(…) a equipa [do Benfica] parece acusar o esforço prematuro do princípio da época».

Rui Moreira, 18 de Dezembro de 2009.

«Durante muito tempo, achei (…) que, com túnel ou sem túnel, o Benfica merecia ganhar este campeonato, porque era a equipa que melhor jogava (…). Mas a verdade é que um campeonato não são 15, nem 20, nem 25 jornadas: são 30 e o saldo final deve-se fazer às 30. E, no último terço do campeonato, desapareceu aquele Benfica que jogava mais e melhor.»

Miguel Sousa Tavares, 11 de Maio de 2010.


«(…) para grande irritação de alguns portistas, reafirmo, uma vez mais, os elogios que tenho feito, desde o início da época, ao futebol jogado pelo Benfica.»


Miguel Sousa Tavares, 23 de Março de 2010. Ou seja, já durante o último terço do campeonato.

Arquive-se!

P.S.: Algumas estatísticas curiosas deste campeonato: Weldon termina a prova com cinco golos marcados, exactamente o mesmo número de golos obtidos pelo super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, embora o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo tenha jogado mais 1091 minutos que Weldon, ou seja, o equivalente a um pouco mais de 12 jogos.

Nas jornadas em que pôde contar com o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo, o Porto perdeu três jogos e empatou dois. No período em que o super-hiper-ultra-extraordinário Givanildo esteve castigado só por ter participado num espancamento, o Porto perdeu apenas um jogo e empatou três. Em resumo, o Porto com Givanildo perdeu 13 pontos; sem Givanildo perdeu apenas 9. Maldita Comissão Disciplinar da Liga!

Jorge Jesus acaba o campeonato na dupla qualidade de campeão e vice-campeão, como autor material do título do Benfica e autor moral do segundo lugar do Braga, clube no qual foi o último treinador a vencer um título, a Taça Intertoto.

Miguel Sousa Tavares, em quem as exibições da equipa de futebol do Porto têm feito despertar um profundo amor pelo ténis, resumiu muito bem o último fim-de-semana desportivo. Fez referência à boa prestação de Frederico Gil no Estoril Open e anunciou a atribuição da Bola de Prata Imaginária a Falcao — cerimónia que não teve a cobertura noticiosa que merecia: uma vez que MST persiste em chamar Radomel a um desgraçado que se chama Radamel (logo ele, que é tão sensível com os nomes próprios), pela primeira vez na história um jogador que não existe venceu um troféu de fantasia, o que coloca dificuldades filosóficas extremamente interessantes. Mas, muito provavelmente por modéstia, MST não incluiu na lista de vitórias do fim-de-semana o troféu que o Porto ganhou: a Taça Rennie. Do ponto de vista digestivo é irónico que um campeonato ganho sem recurso à indigesta mistura de café com leite, rebuçadinhos e fruta tenha, ainda assim, causado tanta azia.

Ricardo Araújo Pereira, edição 15 de Maio de 2010 - Jornal "A Bola"

terça-feira, maio 11, 2010

Grande Campeão!

JORGE JESUS, mal entrou na Luz, garantiu que o Benfica iria jogar o dobro do que jogara na época anterior. Então comentei que o dobro de quase nada muito pouco continua a ser... A verdade é que Jorge Jesus conseguiu multiplicar por muito mais que o dobro a qualidade do futebol benfiquista. O Benfica é grande campeão. Acima de tudo, por ter sido a equipa que mais deu excelentes espectáculos de futebol vibrantemente ofensivo. Primeira consequência: 76 golos na Li-ga, bem acima de 100 ao longo da época. Segunda: margem de 5 pontos so- bre o 2.º, 8 sobre o 3.º, 28 sobre o 4.º. Terceira: recorde de pontos (76) nos campeonatos com 16 equipas (mais 6 que o FC Porto na época passada). Lo- go, nem leve dúvida de o Benfica ter atingido muito alto nível, só assim com clareza se vincando superior ao melhor Sp. Braga de sempre (sensacional, estupendo!) e a um FC Porto só 2 pontos abaixo do que somara há um ano... Justíssima a estrondosa festa. E muitíssimo mal ficam a consciência e o estofo de quem não sabe reconhecê-lo.
Ah!, o futebol tem coisas do arco--da-velha...: o V. Guimarães de Paulo Sérgio, próximo treinador do Sporting, perdeu, em sua casa, o 5.º lugar "europeu" para o Marítimo de Van der Gaag, treinador já despedido!...
Por Santos Neves in A Bola

sábado, maio 01, 2010

Uma errata da choradeira

ONDE se lia «o pobre injustiçado Hulk» deve agora ler-se «o pobre injustiçado Falcao». Onde se lia «o maléfico Ricardo Costa» deve agora ler-se «o maléfico Pedro Henriques». Onde se lia «o inocente Hulk espancou mesmo o steward mas não merecia o castigo» deve agora ler-se «o inocente Falcao acertou mesmo com a mão na cara do adversário mas não merecia o castigo». No mais, a choradeira mantém-se igual. Compreende-se. O Benfica vai à frente no campeonato, o que é muito estranho: o presidente do clube não convidou qualquer árbitro para sua casa na véspera de um jogo, não foi escutado a oferecer fruta e rebuçadinhos ao telefone, não pagou facturas de viagens ao Brasil, não prometeu quinhentinhos a ninguém. Além disso, parece consensual que o Benfica joga o melhor futebol. Quem não suspeitaria deste primeiro lugar? Há cerca de três semanas, Maxi Pereira viu o quinto cartão amarelo por ter jogado a bola com a mão depois de, na verdade, não ter jogado a bola com a mão. Falhou o jogo com o Sporting. Não se verteu uma lágrima. Na última jornada, Falcao viu o quinto cartão amarelo por ter acertado com a mão na cara de um adversário depois de ter, de facto, acertado com a mão na cara de um adversário. Vai falhar o jogo com o Benfica. As carpideiras decretaram três dias de luto e ainda não pararam de chorar. Não admira: esta época, Falcao já jogou duas vezes com o Benfica e, ao longo desses 180 minutos, marcou um impressionante total de 0 (zero) golos. Mas era agora. Era agora! E, no entanto, segundo a opinião insuspeita e prestigiada de Cruz dos Santos, a decisão do árbitro deve ser respeitada porque ninguém pode saber se o chapadão foi propositado ou acidental. Mais: segundo o especialista, trata-se de uma decisão bem mais defensável do que a opção de não assinalar os dois penalties contra o Porto. Mas o clamor da berraria raramente deixa ouvir a voz do bom senso.
A grande sorte do Benfica na jornada passada não foi o castigo do Falcao, foi a circunstância de o Braga ter ganho. Se o Benfica fosse jogar ao Porto na qualidade de campeão, os jogadores podiam ter a tentação de entrar em campo com o cabelo pintado de vermelho, o que dificultaria a percepção do sangue a jorrar das cabeças. Se os jogadores do Porto entrassem em campo com a mesma disposição com que entraram na final da Taça da Liga, as mais que prováveis lesões passariam despercebidas. Há males que vêm por bem.
NÃO me custa reconhecer que talvez me tenha precipitado quando, na semana passada, evidenciei aqui, com o auxílio de divertidas citações, a euforia injustificada de pré-época manifestada pelos fiscais da euforia injustificada de pré-época. Afirmei que o Porto estava definitivamente afastado do título, mas posso ter-me enganado. De facto, neste momento o Porto segue no terceiro lugar, mas tenho a certeza de que, se recorrer para o Conselho de Justiça (CJ) da Federação, pode ainda vencer o campeonato. É uma pena que o CJ não tenha poderes nas competições da UEFA, caso contrário acredito que teria reduzido o castigo que o Arsenal aplicou ao Porto. Em vez de 5-0, reduzia para 2-0, por exemplo. A fundamentação seria a do costume: naquele jogo, os jogadores do Porto não tinham sido agentes desportivos mas espectadores. De facto, estiveram uma boa hora e meia a ver o Arsenal jogar.
P.S.: O vigilante Rui Moreira (e uso aqui a palavra «vigilante» na dupla acepção de «pessoa atenta» e de «cidadão que participa em vigílias») resolveu assinalar o erro que cometi quando disse que o Benfica nunca tinha perdido uma final com o Porto, mesmo sabendo que, logo no dia seguinte, A BOLA publicou, a meu pedido, a frase que tinha saído truncada por lapso: «O Benfica, que tirando uma solitária vez em 1958 nunca perdeu uma final com o Porto…» Mas enfim, com o Porto no terceiro lugar, é normal que até os lapsos já corrigidos mereçam destaque.
Quanto às Supertaças, como é evidente, foram propositadamente deixadas de fora desta contabilidade. Talvez eu devesse ter sido mais claro mas, quando me referi a finais, curiosamente estava mesmo a falar de finais, que são aqueles jogos que ocorrem no fim de uma competição a eliminar, tipicamente após umas meias-finais. Não é o caso do jogo da Supertaça. Fica a nota para o futuro: as rectificações têm bastante mais credibilidade quando rectificam.
Ricardo Araújo Pereira, 1 de Maio in Jornal A BOLA

sábado, abril 24, 2010

Surpresa! Porto afastado do título!

Surpresa! Porto afastado do título!


RECORDAR é viver: «Ao fim da 2ª jornada da I Liga, podem tirar-se já algumas conclusões. Uma: que o FC Porto é, dos três grandes, a equipa mais consistente. (...) Outra: que, perante equipas mesmo inferiores à sua no papel, o Benfica de Jorge Jesus não vai lá. (...) Aimar, Saviola e Di María não são, como já o vêm demonstrando há muito, jogadores (digamos assim) de campeonato.»
António Tavares-Teles, 25 de Agosto de 2009.
‹‹(...) parece que (...) vira o disco e toca o mesmo: o FC Porto continua a ser o grande favorito a dominar a nova época que aí vem, a nível interno.»
Miguel Sousa Tavares, 21 de Julho de 2009.
«Eu sei que ainda é cedo para tirar conclusões, e não é meu timbre embandeirar em arco, mas gosto da nova equipa do FC Porto. Quer-me parecer que temos uma equipa muito lutadora, e na boa tradição das velhas equipas portistas, com jogadores que dão tudo o que podem e que se esfarrapam para conseguirem ganhar cada bola, cada duelo. (...) pelo que me foi dado ver, chegou mais um lote de jogadores com essas características. Teremos, pois, nesta nova época, uma equipa de combate, com diversas alternativas (...)»
Rui Moreira, A Bola, 31 de Julho de 2009.
«O Porto conseguiu três vitórias e (...) a equipa dá sinais de ter amadurecido e começa-se a esquecer Lucho e Lisandro».
Rui Moreira, 9 de Outubro de 2010.
«Ao contrário do que alguns dão a entender, o grande adversário do FC Porto no campeonato é o Braga e não o Benfica»
Pinto da Costa, Outubro de 2009.
«(...) o facto de o Porto estar mais forte, ter tantas opções e parecer mais a vontade fora de casa e muito animador (...).»
Rui Moreira, 11 de Dezembro de 2010.
«Nós vamos a partir de hoje aqui solenemente dizer-Ihe, interpretando o pensar dos treinadores aqui presentes, dos jogadores aqui presentes, que nós queremos este ano dedicar a vitoria do campeonato a si. A si, que vai ser campeão.»
Pinto da Costa, dirigindo-se a uma fotografia de Jose Maria Pedroto, e interpretando varios pensares, 7 de Janeiro de 2010.
«Caiu bem a promessa de Pinto da Costa de oferecer este campeonato a Pedroto.»
Miguel Sousa Tavares, 12 de Janeiro de 2010.
«Todos os anos tem-me dado gozo ganhar, mas este ano vai dar ainda mais. Confesso que esta época vai dar-me claramente mais gozo ganhar.»
Jesualdo Ferreira, 13 de Fevereiro de 2010.
«Somos Porto e vamos continuar a ganhar.»
Nuno Espírito Santo, 20 de Fevereiro de 2010. Oito dias antes de ganhar 3 do Sporting, 17 dias antes de ganhar 5 do Arsenal e um mês antes de ganhar 3 do Benfica.
«(...) o autoproclamado maior candidato ao título deste ano (...)»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Dezembro de 2009. Referindo-se, surpreendentemente, ao Benfica.
«Na sequência das negociações encetadas, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD vem comunicar (...) ter finalmente chegado a um princípio de acordo com o Cruzeiro Esporte Clube, para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do jogador Kleber.»
Comunicado oficial do Porto, 29 de Janeiro de 2010.
‹‹Hulk (...) não sabe jogar de costas para a área (...). Além disso, parece ter entendido mal os recados do treinador e o mais que dele se viu foi que se entreteve a adornar as jogadas, a tentar 'quaresmices' e a simular faItas.»
Rui Moreira, 25 de Setembro de 2009. Cerca de três meses antes de Hulk passar a ser o melhor jogador do mundo, depois de galardoado com a expulsão na Luz.
«Gostei de ver Hulk sentado no banco. (...) talvez lhe devessem ter explicado que fora preterido por causa dos seus tiques e individualismo, das suas inócuas simulações. Talvez assim tivesse optado por uma outra atitude, logo que surgisse a oportunidade de jogar. Em vez disso, e como tem sido costume, Hulk foi de pequena utilidade quando entrou.»
Rui Moreira, 27 de Novembro de 2009. 23 dias antes de Hulk passar a ser absolutamente indispensável e decisivo na equipa do Porto.
«Uma desilusão. (...) Desconcentrado, desconsolado, conflituoso.»
«(...) esperava-se (...) que criasse embaraços á defesa benfiquista.»
«(...) a inspiração jamais foi a desejada, sendo que, aqui e ali, até abusou do individualismo.»
A Bola, O Jogo e Record, respectivamente, apreciam a prestação de Hulk no dia em que foi castigado e passou a ser uma espécie de mistura entre Ronaldo e Messi, mas para melhor. 21 de Dezembro de 2010.
«Sempre achei e sempre o disse que, em minha opinião, as equipas verdadeiramente vencedoras não perdem tempo a discutir árbitros nem a queixar-se de arbitragens.»
Miguel Sousa Tavares, 3 de Novembro de 2009.
«(...) atentem no golo que todos concordam ter sido mal anulado ao FC Porto (...)»
Miguel Sousa Tavares, 3 de Novembro de 2009.
«O que valeu ao Benfica em Olhão foi (...) um fiscal de linha desatento àposição de Nuno Gomes no golo do empate e um árbitro atento ao facto de domingo haver um Benfica-Porto, quando se encaminhou para Cardozo, depois de expulsar Djalmir, e pelo caminho mudou o vermelho a Cardozo para amarelo.»
Miguel Sousa Tavares, 15 de Dezembro de 2009.
«(...) antes haviam sido anulados dois golos ao FC Porto, um dos quais duvidoso e o outro claramente mal anulado (...); havia sido validado primeiro golo do Leiria, também em posição duvidosa, mas com diferente critério de apreciação».
Miguel Sousa Tavares, 19 de Janeiro de 2010.
«Façam o choradinho que quiserem, esta e a minha opinião: futebol assim, com (...) árbitros que protegem o anti-jogo e os sarrafeiros, não vale a pena esperar por público nas bancadas.»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Fevereiro de 2010.
‹‹Segundo 'A Bola', o Benfica ganhou no Funchal 'à campeão'. (...) sinceramente, não sei se o teria conseguido sem o que me pareceram dois erros de arbitragem em dois minutos (...).»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Marco de 2010.
«(...) já lá vão quatro golos limpinhos anulados ao Falcão.»
Miguel Sousa Tavares, 16 de Marco de 2010.
P.S. Mesmo correndo o risco de, em termos humorísticos, não conseguir fazer melhor do que os intervenientes anteriores, gostaria de acrescentar o seguinte: ao que parece, Jesualdo Ferreira obteve grandes vitórias no Porto, foi importantíssimo na história do clube, mas este ano demonstrou que o seu tempo no Dragão chegou ao fim. Já Pinto da Costa obteve grandes vitórias no Porto, foi importantíssimo na historia do clube, e este ano demonstrou que o seu tempo no Dragão ainda agora está a começar. O anúncio da sua recandidatura à presidência deve, por isso, ser saudado com entusiasmo. Por um lado, permite-lhe acabar de cumprir o castigo dedois anos de suspensão por tentativa de corrupção, que seria uma pena não levar até ao fim na posse das funções nas quais foi castigado; por outro, é evidente que o máximo responsável por ter apetrechado o plantel do Porto com Prediger, Guarín, Tomás Costa ou Valeri, e o plantel do Braga com Luís Aguiar, Alan e Renteria, é o portista mais bem colocado para liderar o clube nos próximos anos. Além disso, o Porto ainda pode fazer história nesta época: a manter o terceiro lugar, é a primeira vez que um tetracampeão acaba o campeonato atrás do Braga. A boa gestão dá muitas a alegrias.
Ricardo Araújo Pereira, 24 de Abril de 2010 in jornal A Bola

É tão bom chegar ao Sábado e ler a crónica de Ricardo Araújo Pereira. Então hoje está demais, daí a colocação da mesma no nosso Blog.