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sexta-feira, dezembro 10, 2010

Cachas

Os jornais desportivos andam numa animação. Qual deles consegue brincar mais com o nome do Benfica. Por isso deixo aqui esta crónica de João Paulo Guerra sobre este assunto.

Cachas

No defeso, como agora em vésperas da reabertura do mercado, não há dia em que os jornais não anunciem novos "reforços" para o Benfica. Eu, até como jornalista profissional, não desconfio, à partida, dos jornais, embora saiba que alguns fizeram a opção do sensacionalismo e da subordinação, total e por qualquer meio, à ditadura das tiragens e vendas. Trata-se de um mercado sensível e de um tecido empresarial em que os fins comerciais nem sempre se coadunam com os princípios deontológicos. Mas é também um meio muito sensível à manipulação induzida a partir de grupos organizados de interesses. As "fontes" que oferecem "cachas" sobre iminentes contratações do Benfica têm muitas vezes razões ocultas que os próprios jornalistas e jornais podem não vislumbrar. Embora não me repugne acreditar que alguns detectem a manobra à vista desarmada, mas que alinhem por opção própria ou por interesse. Como também entendo que num mercado de trabalho tão marcado pela precariedade, uma "caixa", ou até mesmo uma "cacha", pode valer um contrato.
Assim, uns engolirão o isco porque sabem que o Benfica é a receita certa para vender papel. Dizia um insuspeito empresário do meio, para o qual trabalhei, que "há três assuntos para vender jornais: o Benfica, o Benfica e o Benfica". E depois das manchetes sobre o Benfica, que venham as chamadas de título sobre o resto do Mundo. Mas também há quem saiba muito bem que certas "notícias", sobre determinados "reforços", criam sentimentos de desilusão entre os adeptos, porque os tais "reforços" nunca estiveram para vir e acabam por não chegar, como podem ter efeitos desestabilizadores para dentro do plantel.
Nota: As "caixas" são notícias de destaque em primeira mão. As "cachas" são enganos, ardis. É dos dicionários.

João Paulo Guerra in Jornal "O Benfica"

sábado, maio 29, 2010

Plantel - João Paulo Guerra

Já sabemos como é mas temos que estar de olhos bem abertos. O Benfica é a única equipa portuguesa que vende papel de jornal e, chegados ao defeso da época futebolística, há mais jornais que tentam salvar a própria época especulando acerca do plantel do "Glorioso". E lá vêm camionetas de guarda-redes, paletes de defesas, grosas de médios, carregamentos de avançados. Nem sempre são necessariamente os jornais que especulam. Há agentes e agências, e até jogadores que anunciam transferências para lançar o barro à parede, a ver se pega. Como há outro tipo de manipulação, de manifesta má-fé, que procura deixar mal uma equipa que cada vez tem mais invejosos a quererem derrotá-la fora de campo. Cada jogador anunciado que não se confirma, mesmo que não tenha passado de uma miragem feita notícia de jornal, é uma derrota que se procura averbar na credibilidade do "Glorioso". O saldo que fica é "falharam a contratação", "não conseguiram", "não chegaram lá". O Benfica tem gerido bem o que diz e o que não diz. Não pode passar a vida a desmentir atoardas, mas também não pode calar por muito tempo, e assim aparentemente consentir, perante as fantasias destinadas a vender jornais ou a tentar inferiorizar uma equipa de crédito mundial. Em geral, por esta altura do campeonato, já nos encheram o balneário de supostos reforços. Este ano, porém, as coisas estão a funcionar em sentido inverso e a crer nas parangonas já teria saído do Benfica mais de meia equipa. Anda por aí muito jogo sujo e interesseiro disfarçado de notícia. Ou pensam que a batota no futebol é apenas inventarem cartões para nos cortarem uma asa no jogo seguinte do campeonato?

João Paulo Guerra in "O Benfica"