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sábado, dezembro 04, 2010

Sílvio Cervan: Algumas constatações

O Benfica foi a Aveiro mostrar várias coisas. A primeira é que dizer mal de Cardozo devia ser exclusivo dos nossos adversários, entra marca e dá a marcar. A segunda foi a certeza que um meio-campo mais combativo, com mais atitude e competência defensiva ajuda muito. Por fim, embora este Benfica esteja ainda distante daquilo que fez no último ano, e daquilo que ainda pode fazer este, é já uma equipa que mostra ser capaz de conseguir alcançar algumas das metas propostas para esta temporada.
Desde a escandalosa arbitragem de Guimarães que ditou a nossa derrota, o Benfica é a melhor equipa do campeonato. Desde Guimarães, em oito jogos para o campeonato temos sete vitórias e uma derrota, perdemos três pontos. O FC Porto é segundo com dois empates desde aí. Sem essas vergonhosas arbitragens iniciais lutávamos pelo título, assim lutamos para mostrar que somos capazes de lutar pelo título quando nos deixam.
Nada disto obsta a que temos de melhorar e que queremos mais de um plantel que tem valor para fazer melhor.

Na terça-feira será pedir serviços mínimos continuar na Liga Europa. Única competição europeia onde podemos ter uma ambição realista no actual estado do nosso futebol, mas também onde podemos subir um degrau na recuperação do prestígio europeu. Nos últimos cinco anos por três vezes chegámos aos quartos-de-final de uma prova europeia. Na Champions onde perdemos com o Barcelona; na UEFA onde caímos com o Espanhol e na Liga Europa frente ao Liverpool.
24 Horas depois de festejarmos o 1.º de Dezembro, como afirmação da nossa Independência, tentámos organizar um Mundial de futebol mostrando a nossa dependência de Espanha para um evento de tal calibre económico e financeiro. Tinha simpatia pela ideia e gostaria que a nossa candidatura tivesse ganho. Não me sinto nenhum Miguel de Vasconcelos e penso até que seria bom em termos económicos para Portugal. Não conseguir o evento é bem melhor que não o ter tentado organizar.

Sílvio Cervan in A Bola retirado de http://catedralencarnada.blogspot.com/

sexta-feira, outubro 22, 2010

Sílvio Cervan: As contas estão bem mais fáceis

O Benfica tem agora as contas da Liga dos Campeões bem mais fáceis: ou ganha os três jogos ou estará fora dos oitavos de final. Assim a matemática fica mais simples. Sem estes resultados e caso não perca o jogo de Telavive, estaria certo o cenário na Liga Europa, ou seja a Europa está aí, falta saber onde. Perdemos com o Lyon porque os franceses foram melhores, não valerá fugir a essa realidade, e no caso de conseguirmos passar aos oitavos de final sempre será de esperar um adversário com valia em excesso para qualquer equipa do nosso futebol. Por vezes há surpresas e nós regozijamos, mas convém saber que são surpresas.
O Benfica que pode e deve aspirar hoje a ser a melhor equipa do futebol português, não é das melhores equipas do futebol europeu, embora deva fazer o caminho sustentado de lá se aproximar. A realidade só pode incomodar quem a não vê, ou aqueles que noutras paragens insistem em viver na ficção. Por mim espero do Benfica uma serena e gradual melhoria, como tem acontecido nos últimos anos.
Novembro só será determinante para o futuro do Benfica, se ganharmos os dois jogos em falta de Outubro (Portimonense e Paços de Ferreira).
Segunda-feira passada no almoço com o embaixador do Chile, o camarote da Luz estava decorado com o número 33, alusivo ao número de mineiros resgatados do fundo da mina. Pois em época de crise era boa a economia caso se pudesse utilizar a decoração para o número de títulos de campeão nacional: 33 é mais que um número é um objectivo.

O estádio Algarve costuma ser talismã, e já embalamos lá para várias conquistas. Contra o Estoril para o título de 2005, contra Sporting e Porto para duas Taças da Liga.
Olegário continua imparável, merecedor de outra homenagem, arbitragem menos conseguida na Taça de Portugal, e expulsão de um jogador do Auxerre em aquecimento no jogo da Liga dos Campeões. Haja personalidade, num imitador de Quim Barreiros.
In Jornal A Bola

quarta-feira, março 31, 2010

Sílvio Cervan - Um rumo

CONFIRMA-SE: é muito mais interessante uma entrevista que se transforma numa conversa do que uma entrevista em que entrevistador e entrevistado se arranham ou insultam. Gostei, pois, do tom e gostei do cenário.
Primeira nota: Luís Filipe Vieira mostrou claramente que tem um rumo para o Benfica. Definiria o seu discurso em quatro pontos: rumo, estratégia, serenidade e profunda convicção.

O presidente explicou muito bem as dificuldades que encontrou quando chegou ao clube, e porque não começou a reconstruir a casa pelo telhado. Ficou claro porque apostou nas infraestruturas (estádio, centro de estágio), e só agora conduziu o clube ao estado desportivamente mais avançado do seu projecto.

Além disso, quando confrontado, e bem, com as eventuais implicações que a situação financeira possa vir a ter no futuro próximo do clube, o presidente vincou a aposta num projecto continuadamente ganhador. Ou seja: que o Benfica aposta em vencer e vencer mais vezes, sabendo que não pode vencer sempre, mas sabendo sobretudo que não pode vencer um ano e deixar de vencer logo a seguir. Um rumo, pois, mas também uma estratégia, como a de perceber que 2013 será um ano de mudança, tendo em conta as diferentes renegociações de diferentes contratos, de que os direitos televisivos são apenas uma parte, um 2013 a partir do qual o Benfica poderá ter asas acrescidas, receitas acrescidas, imputs financeiros acrescidos para reforçar a sua competitividade.

Enorme a felicidade de ver e ouvir o presidente manter-se fiel à ideia de que o clube é grande porque a sua maior receita resulta da contribuição dos seus sócios e adeptos (quotas e bilhetes) e não da venda de jogadores, e que o aumento da receita por via do aumento do número de sócios deixa o clube cada vez mais livre de outro tipo de interesses e mais apto a tomar o seu rumo mais genuíno. Fantástica esta relação afectiva dos sócios com o clube, como notável é termos podido colocar à venda para o público zero bilhetes para o jogo com o Liverpool porque os sócios os compraram todos. É inigualável!

Nota final: o sentimento de uma ligação forte do presidente com Jorge Jesus, que tranquiliza sócios e adeptos. No futebol os resultados são sempre decisivos, mas fica claro tratar-se de um casamento por amor e não por conveniência.

Sílvio Cervan in A Bola