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quarta-feira, setembro 11, 2019
Decisão definitiva
domingo, abril 28, 2013
"Clube das virgens" - João Gobern no seu melhor
Amanhã vamos lutar contra tudo e contra todos!
quinta-feira, dezembro 09, 2010
João Gobern: "Esforços e reforços"
Sejamos honestos: com exceção de uma hora frente ao Lyon, na partida da Luz, a participação do Benfica na Liga dos Campeões fica abaixo do medíocre, tanto pelas exibições como pelos resultados. O que fica para a história são quatro derrotas em seis jogos e a desvantagem no marcador face a todos os oponentes: 1-4 frente ao Schalke 04, 4-5 na soma com o Lyon, até 2-3 nos desfechos com o Hapoel. Mais: os benfiquistas que suspiraram de alívio com o golo de Lacazette não vão esquecer que a sua equipa entrou a depender de si própria e acabou a rezar pelo milagre em Lyon. Antes de mais esta pintura esborratada, já Jorge Jesus tinha defendido que o Benfica poderia chegar mais longe na Liga Europa do que fez na época passada. Só para avivar a memória: o campeão nacional despediu-se nos quartos-de-final. O que levanta a questão – a jogar assim, sem pressão, alta ou baixa, sem velocidade, alta ou baixa, sem eficácia, ao invés da última época, alguém acredita na verosimilhança deste objetivo?
Épreciso mudar muita coisa, a começar pela atitude. Como é indispensável desvendar o grande mistério da temporada benfiquista: se os jogadores são praticamente os mesmos (e Jesus teve tempo e dinheiro para substituir à altura Di María e Ramires), de onde vêm tantas diferenças? Vem aí o mercado de Janeiro e a tentação pelos reforços é grande, mesmo tendo consciência de que é muito mais difícil fazer bons negócios no Inverno. Talvez por isso, se troque o reforço pelo esforço: sem a resolução das maleitas internas, os que vierem podem alinhar no lado dos problemas e não das soluções. Acima de tudo, o Benfica precisa jogar mais e melhor. Caso contrário, ficará a falar sozinho, quando protestar contra os Elmanos desta vida. Claro que a reclamação é justa, nas primeiro é necessário fazer pela vida dentro de campo. Chama-se autoridade moral, se não me engano.
João Gobern in Record online
quarta-feira, dezembro 01, 2010
João Gobern: "15 segundos"
quinta-feira, novembro 18, 2010
João Gobern: "O melhor exemplo"
Recordo os momentos em que foi desviado da frente de ataque para a posição de playmaker - com êxito assinalável, tendo em conta a sua técnica e a visão de jogo. Lembro os momentos de sufoco para a sua equipa, em que foi sempre capaz de dar o exemplo e, sem esquecer o seu papel primordial de atacante, apareceu como primeiro defensor. Evoco, em nome da épocas mais recentes, a sua infinita disponibilidade para uma longa permanência no banco de suplentes - e até na bancada - em nome dos interesses da equipa, sem que se lhe ouvisse um queixume público, sem que reclamasse a antiguidade como um posto, antes mantendo viva e activa a autoridade natural ganha no balneário e no “grupo de trabalho”, chegando a dar o peito às balas mesmo sem entrar em campo.
Agora, sem fazer ondas nem lançar recriminações contra ninguém, anunciou a disposição de deixar o clube que o fez gente no mundo do futebol e que ele próprio ajudou a engrandecer. Tê-lo-á feito depois de uma prolongada reflexão e por ter concluído que maior do que o seu amor à camisola só há mesmo outro amor: aquele que dedica à sua actividade profissional, que é uma paixão chamada futebol. Mais uma vez, o capitão voltou a ser discreto, limitando-se a defender que ainda se sente à altura de jogar e de partilhar alegrias sobre os relvados.
Chegou a ser um mal amado na equipa, mesmo pelos que reconheciam a sua importância nos equilíbrios no clube. O facto de ser um jogador fino - nada tem a ver com défices de entrega e de alma - levou-o a receber assobios. Hoje, é aceite como símbolo, algo que herda em via directa de alguns dos maiores de sempre no clube que representa. E não é preciso ser adivinho para vaticinar que o Benfica, mesmo em fase de poder e de saúde, vai sentir a falta de um homem - e de um jogador - como Nuno Gomes. Oxalá possa regressar, mais tarde, para continuar a ser porta-bandeira e porta-voz. Apesar da época meteórica que vivemos - no futebol e não só -, das famas e carreiras feitas e desfeitas num ápice, ainda há os que provam ser uma mais-valia continuada. No futebol jogado em Portugal, não conheço melhor exemplo.
sexta-feira, maio 14, 2010
Passo em falso
quinta-feira, maio 06, 2010
Golfe, isqueirada e misérias
quinta-feira, abril 29, 2010
A educação pela arte - João Gobern
Sabem os meus amigos e familiares com descendência assegurada que gosto de me ocupar daquilo que eles próprios podem designar como "zonas periféricas" da formação dos mais novos. Aquilo que desconhecem - e que eu também não me vejo obrigado a confessar - é que, muitas vezes, é nestas franjas que moram episódios essenciais para o crescimento dos petizes, hoje muito menos separados pela questão do género do que acontecia noutros tempos.
Por outras palavras, e consoante os apetites previamente estudados, gosto de agarrar nos "sobrinhos" e de os levar ao Jardim Zoológico ou ao Oceanário. Ao cinema, via rápida para o sonho. Ao teatro, quando já são capazes de perceber o valor do silêncio. A um espectáculo musical, a um recital, a uma ópera, aproveitando a abertura sem preconceitos que ainda os domina. A um museu, para lhes educar vista e sensibilidade. E, evidentemente, ao Estádio da Luz, preparando-os para a multidão e para a vibração, mostrando-lhes como num jogo do Benfica há coreografias e efeitos especiais (recentemente é assim que olho para as fintas de Saviola e para os arranques de Di Maria), coreografias estudadas e improvisos de génio (Aimar é um belo argumento), música de comunhão e dinâmica de grupo, além de traduções menos rudimentares do que poderia supor-se de Geometria, de Física, de Geografia (componente demográfica na ocupação dos espaçõs livres), de História (e lá estou eu para ajudar a ser cicerone).
Um bom jogo do Benfica é algo que fica gravado para sempre, dipensando todos os outros suportes além da memória emocional. Não será, assim, coincidência que quase todos os "sobrinhos", elas como eles, de recordem dessa jornada gloriosa que, sem meias palavras, incluo no domínio da educação pela arte - uma vez que, mesmo em tempos de crise de identidade, nunca faltaram artistas na Luz, iluminados mas também faróis. Por mim, lembro com mais facilidade aqueles que mereciam outro currículo, jogando como jogaram pelo Benfica: Preud'Homme e Poborsky, Simão e Miccoli, Gamarra e Enke. Acima de todos, João Vieira Pinto. São a prova de que nos corações benfiquistas contam mais o esforço, o empenhamento e o génio do que os títulos que, por várias ordens de razões (e nem todas edificantes), acabaram por não conquistar as serviço do clube que, correcções feitas, prioridades alinhadas, está a voltar ao que se espera: que contagie e empolgue, que alegre e identifique quem o segue. E, se possível, que ganhe - mas sem truques nem malfeitorias.
Por norma, os presentes - os equipamentos, os cachecóis, as bandeiras, o múltiplo merchandising - só vêm a seguir a essa iniciação, ao vivo e a cores. Porque depois da visita, guiada apenas no indispensável e com margem para toda a descoberta pessoal, elas e eles já percebem sem dificuldade o que significa ser do Benfica.
Insisto: é educação pela arte. É um daqueles casos em que a arte vai desaguar direitinha na fé. Depois do "baptismo" e das indispensáveis "confirmações", essa nunca falta.
João Gobern in Mística
sexta-feira, março 26, 2010
Haja vergonha
Por tudo isto, Salema Garção, dirigente do Sporting, já ganhou o direito a uma página negra da história do futebol nacional, ao sugerir a criação de um "ambiente extremamente difícil" para um jogador (Simão Sabrosa) e, de caminho, para o clube que atualmente representa (Atlético Madrid). É o absurdo total: depois de regressar a Portugal, vindo do Barcelona e para o Benfica, Simão jogou várias vezes em Alvalade sem direito a hostilidade especial, embora não escapasse aos apupos da ordem. Mais: as relações entre os leões e o clube espanhol não seriam más até à data, se nos lembrarmos da recente transferência de Pongolle, de Madrid para Lisboa. Agora, com o caldo entornado, bem pode Salema Garção reclamar que aquilo que disse não pretendia sugerir o ambiente de guerrilha e intifada que se viveu nas cercanias do Estádio de Alvalade. Vale pouco e não tem efeito retroativo, a justificação: é antes dos incidentes que é preciso prevê-los e evitá-los. Caso contrário, é tão válida e útil como os prognósticos no fim do jogo.
Dentro de campo, outra vergonha: a conduta quase tresloucada de Bruno Alves, um homem que ainda há oito dias fiz questão de defender nesta coluna. Em má hora: em muitos anos de futebol, raras vezes vi um jogador - e capitão de equipa - afastar-se tanto do conceito de fair play que deve imperar entre adversários. Começou pelo insulto verbal - bem visível nas imagens da TV - e depois usou todas as suas armas: as mãos, os cotovelos, os joelhos, os pitons. Ao intervalo, para evitar males maiores, impunha-se a sua substituição. Acabou impune, apesar do que fez com Kardec (a principal vítima), com Aimar (a mais evidente), com Cardozo. A partir de determinado momento, só havia duas dúvidas: por quantos ganharia o Benfica e quantas vezes Alves "pediria" a expulsão... sem a obter. No fim, Jesualdo Ferreira - que conseguiu ver "um jogo equilibrado" - descobriu uma arbitragem "sensata". Por mim, só vi uma arbitragem disciplinarmente cobarde. E assisti ao silêncio cúmplice de quem manda no FC Porto, a sancionar o golpe baixo, a violência e o destempero.
